Os instrumentos nacionais examinados (NMDSP, MMD, ITDBr) medem o serviço, os dados ou a empresa. Nenhum deles mede o órgão público estadual ancorado em cadeia de valor.
A originalidade está em integrar dimensões já conhecidas a uma arquitetura de processos públicos estaduais, e não em criar dimensões novas.
Questionário respondido por gestores e servidores, com evidências documentais, pontuação por dimensão e índice por média ponderada.
O resultado orienta um plano de ação. Não é um selo nem um ranking entre órgãos.
01Metodologia
Design Science Research: construir e avaliar um artefato que resolve um problema prático.
Atividades da pesquisa (Peffers et al., 2007)
| Atividade | No artigo |
|---|---|
| 1. Problema | Ausência de instrumento padronizado nos órgãos de Goiás |
| 2. Objetivos | Framework ligado à CVI, com dimensões, escala e questionário |
| 3. Desenvolvimento | 6 dimensões, 5 níveis, pesos iniciais, regras de agregação, pontos de corte preliminares e instrumento |
| 4. Demonstração | Exemplo ilustrativo de cálculo, com dados fictícios, e análise teórica sobre a CVI |
| 5. Avaliação | Teórica, ex ante e formativa; empírica fica para o piloto |
| 6. Comunicação | O artigo científico |
Como o artefato foi construído
- Levantar na literatura os fatores críticos de sucesso e as barreiras.
- Analisar a estrutura da CVI de Goiás.
- Agrupar os fatores em dimensões, com rastreabilidade.
- Definir a escala de maturidade de cinco níveis.
- Atribuir pesos iniciais às dimensões e definir as regras de agregação e os pontos de corte preliminares.
- Formular os itens diagnósticos de cada dimensão.
Rastreabilidade e aderência à CVI: cada dimensão se liga à literatura e a um elemento da cadeia.
Gradação: sem critérios absolutos que penalizem órgãos por razões legais, de segurança ou de inclusão.
Parcimônia e neutralidade tecnológica: instrumento curto, que não confunde maturidade com adoção de uma tecnologia.
02O framework
Três camadas da cadeia de valor, seis dimensões ponderadas e cinco níveis cumulativos.
Âncora: a Cadeia de Valor Integrada (CVI)
A modernização da ponta não pode ser freada por uma retaguarda analógica: por isso o diagnóstico percorre as três camadas.
As seis dimensões e seus pesos iniciais
Pesos propostos pelo autor por julgamento fundamentado na literatura e sujeitos à calibração por especialistas (método Delphi, com protocolo preliminar de 10 a 15 especialistas e até três rodadas). O peso de 25% da Liderança ainda não tem validação empírica. Soma dos pesos: 100%.
Escala de maturidade em cinco níveis
Inspirada no CMMI, mas não é uma adaptação formal dele: aproveita níveis cumulativos e a evolução de processos informais para processos definidos, gerenciados e otimizados. A escala mede capacidade institucional, e não a adoção de uma tecnologia.
03Passo a passo de aplicação
Seis fases cíclicas: cada etapa dá suporte à seguinte e o ciclo recomeça todo ano.
Sensibilização apoio da liderança
- O que fazer
- Apresentar os objetivos do MMDI-GO à alta liderança do órgão.
- Por quê
- O apoio da alta gestão é o principal fator crítico de sucesso.
- Resultado
- Comprometimento institucional.
Mapeamento na CVI definição do escopo
- O que fazer
- Identificar os macroprocessos e processos de trabalho do órgão que serão avaliados.
- Por quê
- Ancora o diagnóstico na estrutura de valor do Estado.
- Resultado
- Escopo de processos por camada (finalísticos, gerenciais e de suporte).
Coleta de dados questionário e evidências
- O que fazer
- Aplicar o questionário de 24 itens a gestores e servidores e reunir a análise documental das evidências, registrando as divergências relevantes.
- Por quê
- Combina percepção e prova documental.
- Resultado
- Respostas de 1 a 5 (ou NA, com justificativa) e evidências arquivadas.
Diagnóstico pontuação e nível
- O que fazer
- Calcular a nota de cada dimensão, o índice global e o nível de maturidade, conforme as regras do artigo.
- Por quê
- Transforma respostas em nota por dimensão, índice informativo e nível.
- Resultado
- Nível de maturidade por dimensão e do órgão.
Plano de ação relatório e lacunas
- O que fazer
- Transformar os resultados em relatório de diagnóstico e análise de lacunas, e identificar as prioritárias.
- Por quê
- O resultado não é um selo: é um mapa de lacunas que direciona investimentos, capacitações e ajustes normativos.
- Resultado
- Plano de ação para evolução de nível.
Monitoramento ciclos anuais
- O que fazer
- Reavaliar o órgão a cada ano.
- Por quê
- Torna a jornada contínua e mensurável.
- Resultado
- Série histórica de maturidade e novo ciclo.
↻ Da fase 6 volta-se à fase 3: a reavaliação anual repete coleta, pontuação e análise.
04As 24 perguntas do diagnóstico
Afirmativas respondidas pelo grau de implementação, numa escala ordinal de 1 a 5. Responda aqui para simular a classificação de um órgão.
O texto das afirmativas é o do Quadro 6 do artigo, e a escala é a do Quadro 5. A fundamentação indica a fonte do tema do item, e não a existência de um item equivalente na fonte. As dimensões são índices formativos: com 3 a 6 itens por dimensão, o alfa de Cronbach pode não ser a medida adequada, e a qualidade do instrumento será avaliada em piloto.
05Análise dos resultados e classificação do órgão
Como as respostas viram nota, índice, nível e prioridades de ação.
Média dos itens respondidos
Resulta em um valor entre 1,00 e 5,00 para cada uma das seis dimensões. Itens marcados NA, com justificativa registrada, ficam fora da média.
Média ponderada
Pesos: Liderança 25, Dados 20, Processos 20, Cultura 15, Experiência 12, Infraestrutura 8. É o índice global informativo.
Passo 3 · da nota ao nível
Vale o menor nível entre as dimensões
A regra é não compensatória: um desempenho alto numa dimensão não compensa a deficiência em outra. A análise de sensibilidade do artigo vai compará-la com a regra compensatória, em que o nível corresponde ao índice global ponderado. A simulação abaixo mostra as duas.
Passo 4 · lacunas e prioridades
Ordena as dimensões pelo quanto cada uma ainda "custa" no índice: uma nota baixa em uma dimensão de peso alto vem primeiro. É uma operacionalização sugerida para a fase 5, e não uma regra do artigo.
Afirmativas respondidas com 1 ou 2 são listadas como pontos a melhorar: dizem exatamente o que o órgão ainda não tem. Cada lacuna deve virar uma ação do plano, com responsável e prazo.
Exemplo do material: Cultura e Competências com baixa pontuação aponta para orçamento de capacitação continuada e gestão da mudança vinculada à CVI.
Resultado da simulação
06Limites de uso e próximos passos
O que a proposta permite afirmar, e o que ainda depende de validação.
Limitações declaradas
- Sem validação empírica: nada se afirma sobre validade, confiabilidade ou efetividade.
- Pesos iniciais, propostos pelo autor; o protocolo Delphi ainda não foi executado.
- Pontos de corte preliminares e equidistantes, sem calibração empírica.
- Instrumento curto (24 itens), com qualidade ainda não testada, inclusive a adequação de medidas a indicadores formativos.
- Literatura selecionada de forma intencional, sem protocolo sistemático; outros instrumentos podem existir.
- Autorrelato sujeito a viés de desejabilidade social; ancoragem na CVI delimita o escopo, e não pontua por processo.
Agenda de validação
- Aplicar o protocolo Delphi para calibrar os pesos, com análise ética.
- Aplicar piloto em órgãos de complexidades diferentes.
- Avaliar confiabilidade e validade, e validar os pontos de corte entre níveis.
- Ampliar os itens e elaborar descritores por dimensão.
- Desenvolver plataforma digital para coleta e processamento.